PÁGINA DA CAMPANHA

IBOPE: SIDNEI CAI, GILSON PELIZARO SOBE E CRESCEM CHANCES DE SEGUNDO TURNO

COMÉRCIO DA FRANCA (20/9/2008)

O Ibope (Instituto Brasileiro de Pesquisas de Opinião e Estatística) divulgou ontem sua segunda rodada de pesquisas eleitorais em Franca. Pela primeira vez desde o começo das campanhas, o cenário não indica uma vitória fácil de Sidnei Rocha (PSDB) no primeiro turno. O tucano continua na liderança pelas intenções de voto, mas perdeu seis pontos percentuais desde o dia 29 de agosto - quando foi divulgada a primeira pesquisa Ibope - e caiu de 57% para 51%.

Ao mesmo tempo, Gilson Pelizaro (PT) cresceu sete pontos, saltando de 21% para 28%. Na prática, Pelizaro fez o que parecia improvável: tomou votos de Sidnei Rocha e reduziu a distância que os separava, de 36 para 23 pontos percentuais. O número de eleitores indecisos também cresceu, de 13% para 15%. Os demais candidatos estão estagnados (veja quadro ao lado). Neste momento, seria impossível antecipar se Franca verá, pela primeira vez em sua história, uma eleição municipal ser decidida no segundo turno.

O Ibope ouviu 504 eleitores entre os dias 16 e 18 de setembro. Na pesquisa espontânea - aquela em que o eleitor diz em quem pretende votar sem possuir a lista de candidatos -, o prefeito também aparece em queda. Sidnei Rocha (PSDB) tinha 52% e agora está com 48% das intenções de voto. Pelizaro subiu de 20% para 25%.

A inversão de tendência acontece uma semana depois do debate promovido pela TV Record em parceria com o Grupo Corrêa Neves de Comunicação. No último domingo (14), os candidatos estiveram frente a frente e tiveram a oportunidade de debater os problemas da cidade e como pretendem resolvê-los. Como o antecipado por um comunicado oficial, Sidnei Rocha faltou e virou alvo de todos.

Na véspera, sábado (13), o tucano participou de um tumultuado comício em Pedregulho no qual declarou apoio a Dirceu Polo, candidato do PSDB na cidade. Durante a semana, o Partido dos Trabalhadores aproveitou para fazer uma ácida propaganda eleitoral na TV. Abusou de cenas do tucano cantando e dançando - gravadas no comício em Pedregulho -, e da bancada vazia durante o debate.

“(Sidnei) Correu e foi para um comício em Pedregulho. Encare o povo de sua cidade, Sidnei. Está com medo de quê?”, provocaram os petistas no horário. Em Franca, o tucano não fez comícios.Gilson Pelizaro também contou com o apoio de integrantes do primeiro escalão do governo Lula. Ministros, secretários e até o próprio presidente da República gravaram depoimentos pedindo votos para o candidato petista de Franca.

REJEIÇÃO

A queda não é a única má notícia para Sidnei Rocha. O número de eleitores que não votaria nele de jeito nenhum cresceu. Seu índice de rejeição subiu cinco pontos, de 17% para 22%, e agora ele está empatado com o de Gilson Pelizaro.

O petista, que minimizou a importância de todas as pesquisas realizadas até ontem, que o colocavam em um longínquo segundo lugar, mudou subtamente de humor. “A pesquisa sinaliza segundo turno com certeza em Franca. Os números mostram que estamos no caminho certo e com a estratégia correta”, comemora. “A eleição não está ganha para ninguém e vamos trabalhar até o final. Ganhamos um fôlego extra”.

Pelizaro acredita que seu crescimento se deve à campanha intensa que tem feito ao lado do vice André Jorge (PPS). Para ele, o fato de não ter participado do debate pesou para a queda de Sidnei Rocha. “Todo ato covarde atrapalha qualquer cidadão. Esta covardia do prefeito, com certeza, deve ter atrapalhado”.

AINDA NA FRENTE

Apesar da considerável queda, Sidnei Rocha ainda conta com ampla aprovação popular, situação que pouco mudou no último mês. Segundo a mesma pesquisa Ibope, 63% dos francanos avaliam como boa ou ótima a administração atual. Apenas 26% a classificaram como regular, 4% como ruim e 7% péssima. Em 29 de agosto, 90% dos eleitores da cidade aprovavam a administração, agora o índice é de 89%. Ou seja, a intenção de votos não está diretamente relacionada a como a cidade avalia o governo.

Além disso, 65% dos eleitores, mesmo aqueles que não pretendem votar nele, acreditam que o tucano vencerá as eleições.Rocha acusou o golpe e desapareceu. Não atendeu à reportagem nem retornou aos recados deixados com seu assessor, Marcelo Facuri. O coordenador da coligação “Somos Todos Franca”, José Marcos Berteli, também não foi localizado.

Para os candidatos nanicos a pesquisa indica que pode haver uma “surpresa” nas urnas. “Onde a gente vai não encontra rejeição. Acredito que teremos uma surpresa na última semana”, disse Cristiano Rodrigues (PV), o Crico. Jorge Martins (PSol), o Jorginho, acredita que a pesquisa não reflete a realidade e para Tito Flávio (PCB) a queda de Sidnei Rocha já era previsível.

A segunda pesquisa Ibope está registrada na 46ª Zona Eleitoral de Franca sob número 1620/2008. A margem de erros é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

SABATINA DO COMÉRCIO DA FRANCA

Ouça na íntegra a Sabatina com o candidato do PCB, Tito Flávio Bellini, realizada na útlima terça (16/8) pelo jornal Comércio da Franca.
Clique aqui.

TITO FLÁVIO AFIRMA QUE COMBATERÁ A SONEGAÇÃO

COMÉRCIO DA FRANCA (18/9/2008)

O candidato pelo PCB, Tito Flávio, foi o entrevistado de ontem no Jornal Regional da EPTV. Durante cinco minutos, Tito falou das suas propostas para a Prefeitura de Franca. Disse que é necessário combater a sonegação de impostos e que fará campanhas de esclarecimento para que a população faça o pagamento, mas não descarta as execuções judiciais e a necessidade de desapropriação em alguns casos.

O comunista voltou a “bater na tecla” da tarifa zero para o transporte coletivo, que prevê a gratuidade total em até quatro anos, e sobre a necessidade de instalar uma engenharia de tráfego em Franca, para controlar o trânsito. “É um projeto (tarifa zero) que muitos consideram ousado, mas o próprio candidato Kassab (prefeito de São Paulo), que não é de esquerda, começou a fazer a defesa deste projeto para a cidade de São Paulo, a maior da américa latina”.

Sobre o recapeamento de ruas e dos bairros sem asfalto, Tito disse que buscará recursos no Ministério das Cidades. “Vamos estudar. Assim que assumirmos o governo captaremos recursos que estão disponíveis para isso. Muitos a fundo perdido”.

TITO FLÁVIO: IDÉIAS CLARAS E POSIÇÕES FIRMES NA SABATINA

COMÉRCIO DA FRANCA (17/9/2008)
I
O candidato a prefeito pelo PCB, Tito Flávio, foi sabatinado ontem pela Rádio Difusora e respondeu a todas as perguntas com firmeza. Tranqüilo, emitiu opiniões claras, bem definidas e mostrou o que pensa. O eleitor pode não concordar com suas afirmações, mas sabe exatamente em que o comunista acredita. Tito voltou a defender sua grande bandeira, que é a municipalização do transporte, uma maior abertura popular na administração da cidade e a retomada da gestão plena da Saúde. Fez um apelo aos eleitores para prorrogar a campanha eleitoral e levar a decisão para o segundo turno. “Vamos dar mais 20 dias para a gente refletir melhor; 20 dias não vão fazer tanta diferença, agora, como vão poder fazer quatro anos. É a possibilidade da cidade ter dois turnos. No primeiro, você pode votar naquele projeto que tem identidade”.
I
A falta de estrutura do PCB ficou evidente na chegada do candidato ao Auditório “Jornalista Corrêa Neves”, de onde o programa é transmitido. Tinha apenas a companhia de um solitário assessor. Foi o próprio Tito quem instalou a aparelhagem particular para gravar sua participação. Quando os microfones foram abertos, o professor universitário fundamentou as respostas e defendeu seus princípios. Ao ser questionado porque deixou o PT, em 2007, fugiu das justificativas comuns dadas por companheiros de debandada.
I
“Alguns apontam traições ou mudanças de posição. A minha saída não vai muito neste sentido. Foi uma releitura que fiz da tradição e do papel do PT na história e dos limites, até, desta posição. Considero o PT um partido de centro esquerda, próximo à social democracia. As necessidades da sociedade que precisa do Poder Público vão muito além de meras garantias de uma certa seguridade social”.
I
Ex-diretor do partido durante os oito anos em que o PT administrou a cidade, Tito Flávio diz ter entrado em choque por diversas vezes com os companheiros. “A gente costuma dizer que não era um governo do PT. Era um governo de um setor do PT. Outros setores não eram ouvidos. Tentava reorientar onde acreditava que estava errado e que poderia melhorar. Infelizmente, não fomos ouvidos. Isto gerou um desgaste muito grande”.
I
O candidato defendeu os valores comunistas, como o controle dos meios de produção por parte do Estado. “Sem dúvida. Defendo uma concepção em que o Estado tem que ser forte. Empresas públicas não são, por natureza, ineficientes ou corruptas. Costuma-se dizer que um Estado grande, que cumpra suas funções constitucionais, é moroso. Não é. Para todo político corrupto, existe um ente corruptor”.
I
Tito Flávio também marcou posição ao defender a atuação do Poder Público no incentivo da autogestão (quando os funcionários assumem o controle da empresa em que trabalham e passam a administrá-la) para evitar falências. “Defendemos que a Prefeitura seja intermediadora e vá de encontro aos trabalhadores. Que os ajude a se organizarem e dê a opção: se (o proprietário) não está dando conta, vamos ver se o trabalhador quer assumir a empresa”.
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TARIFA ZERO
Candidato com a proposta mais ousada, Tito Flávio voltou a defender na sabatina sua principal bandeira de campanha: a municipalização do transporte público, batizada de tarifa zero. “Muitos consideram o projeto radical e comunista, mas fiquei muito surpreso ao saber que o candidato a prefeito em São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), começou a fazer a defesa da tarifa zero. Não é meramente uma questão ideológica. O projeto tem várias facetas, como distribuição de renda e o modelo de cidadania e o tipo de cidade que a gente quer”.
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Tito disse que a redução no preço das passagens seria gradual e a economia possibilitaria uma maior injeção de dinheiro na economia do município. Segundo suas estimativas, a Prefeitura deveria gastar de R$ 35 milhões a R$ 40 milhões anuais - quase o dobro dos recursos disponíveis para investimentos no orçamento da cidade atualmente - para bancar o serviço.
I
Por mais que se esforçou, não foi convincente ao falar da viabilidade de conseguir dinheiro para pagar a conta. “Aquecendo a economia, aumentaria a arrecadação de impostos do município. Seria necessário fazer uma reforma tributária que não onere a classe média. Também poderíamos buscar subsídios federais”.
I
Foto: "O candidato do Partido Comunista Brasileiro, Tito Flávio, responde às perguntas dos jornalistas durante a sabatina da Rádio Difusora na manhã de ontem" (Fred Casagrande/Comércio da Franca).

TITO DEFENDE CASAMENTO GAY E O DIREITO DE A MULHER ABORTAR

COMÉRCIO DA FRANCA (17/9/2009)
I
Tito Flávio foi o candidato com postura mais clara ao falar sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo. “Sem dúvida, sou favorável. Tive a oportunidade, inclusive de estar presente em uma parada do orgulho gay em São Paulo e fiquei surpreso com o nível de organização. Também sou favorável a casal de gays adotarem crianças”.
I
Ao dar sua opinião sobre a legalização do aborto, não foi tão direto. “Pessoalmente, vim me perguntando sobre isto. Nunca tive uma posição muito definida, porque é um tema muito complexo. Minha defesa como homem público e, até pessoal, é pela descriminalização do aborto. A mulher não pode ser criminalizada por isto”.
I
Questionado sobre a invasão de terras, o candidato citou a Constituição Federal para dizer que a propriedade tem de atender a sua função social. “Não existem invasões. Grileiro é que invade terra. A ocupação é um ato legítimo de pressionar o Poder Público para que a lei seja cumprida”, disse.
I
SAÚDE
Tito Flávio afirmou que vai brigar para retomar o controle da Saúde, hoje, entregue ao Estado, para poder ter uma incidência direta sobre a Santa Casa com o objetivo de melhorar o atendimento. “Não defendo a intervenção. Defendo o diálogo com os gestores e a necessidade de rever o contrato. Para isto, é fundamental recuperar a gestão para poder negociar”.
I
Voltou a reafirmar o compromisso de campanha de construir 40 PSFs (Programa de Saúde da Família) na cidade. Hoje, são cinco núcleos. Para ele, dinheiro não seria problema. “Existe uma linha de financiamento do Ministério da Saúde para implantação de núcleos. Depois, tem repasses mensais para ajudar no custeio. Isto, a médio prazo, traz impacto na redução do atendimento do pronto-socorro. Aquilo está lotado, porque não tem pronto atendimento nos bairros”.

Foto: "Tito lê a Constituição da República no intervalo da sabatina: preparação para a entrevista" (Fred Casagrande/Comércio da Franca).

AUSENTE, SIDNEI VIRA ALVO DE RIVAIS EM DEBATE

FOLHA DE S.PAULO (Caderno Ribeirão, 15/9/2008, p. C9)

Candidatos à Prefeitura de Franca afirmam que o tucano foi 'covarde' por faltar ao encontro promovido pela TV Record

Apesar de ausente, o prefeito de Franca e candidato à reeleição, Sidnei Fraco da Rocha (PSDB), foi o principal alvo dos outros candidatos d cidade no debate promovido ontem pela TV Record de Ribeirão Preto.

Durante todo o programa, Gilson Pelizaro (PT), Cristiano Rodrigues (PV), Jorge Martins (PSOL) e Tito Flávio (PCB) fizeram críticas a Sidnei, que lidera a última pesquisa Ibope/EPTV, divulgada no dia 29 de agosto, e atacaram a atual administração da prefeitura.

Na época, a pesquisa apontava o tucano com 57% das inteções de voto, seguido por Pelizaro, com 21%, Rodrigues (2%) e Martins e Tito Flávio (1%).

"Covarde" foi o adjetivo mais usado pelos adversários que, durante o programa, apresentaram poucas propostas e, em uníssono, enumeraram problemas da administração.

Perguntas feitas entre os candidatos, mas com abertura para críticas a Sidnei, foram comuns, feitas principalmente Gilson Pelizaro. Ente os quatros, porém, nenhum ataque foi realizado.

Em uma das questões, o petista citou o alargamento do córrego dos Bagres, na avenida Hélio Palermo, e perguntou a Cristiano Rodrigues o que ele achava da "incompetência da prefeitura". "A incopetência é gritante, ele trabalha com o calendário eleitoral", respondeu o candidato do PV.

Mais tarde,Pelizaro, novamente, deu chance para que Tito Flávio criticasse Sidnei. "A atual administração tirou a isenção dos aposentados. Eles agora são obrigados a pagar impostos. O que o senhor acha disso?". "O prefeito governa para a elite", foi a resposta de Tito, que em determinado momento passou a atacar Sidnei com mais ênfase. "Ele mente no horário eleitoral", disse.

Jorge Martins também não poupou o adversário. "Há deficiências em todas as áreas da cidade. Infelizmente, sua prepotência e a arrogância não permitem que ele veja isso".

Ao final, os candidatos lamentaram a ausência do prefeito. "Ele se acovardou pois sabia que íamos colocartemas graves", disse Pelizaro. "Mais do que morno, foi um debate em que os princípios democráticos foram feridos", disse Rodrigues.